Percurso
Um livro que revela mais de quatro décadas dedicadas à alta joalheria artesanal.
Adeguimar Arantes — do percurso autoral ao Farei Joias
O livro Adeguimar Arantes até o Farei Joias apresenta a trajetória de uma artista brasileira que construiu permanência no circuito da joalheria contemporânea nacional e internacional a partir de uma linguagem profundamente autoral.
Sua pesquisa tornou-se singular pela antecipação de conceitos hoje amplamente debatidos no campo do luxo contemporâneo: a incorporação de elementos comuns, orgânicos e descartes junto a metais e gemas preciosas; a utilização de metais reciclados desde 1985; e a defesa de uma joalheria de tempo expandido, concebida lentamente, em oposição à lógica industrial e seriada.
Há mais de uma década, Adeguimar Arantes compreendeu que o verdadeiro luxo migraria para obras cada vez mais exclusivas, únicas e irrepetíveis, onde o tempo de criação passaria a ter valor equivalente à própria matéria.
Seu ateliê nunca adotou métodos industriais como fundição ou cera perdida. Todas as peças são construídas manualmente, diretamente na bancada, através do feitio tradicional da joalheria, preservando o gesto, o processo e a singularidade de cada obra.
Cada joia possui registro próprio e assinatura da artista, reafirmando seu entendimento da joalheria como linguagem artística e patrimônio autoral.
Até os anos 90
Entre 1985 e o final dos anos 90, a produção se estabelecia na prática de bancada, com rigor técnico, porém ainda sem um eixo conceitual definido. As peças desse período refletem um padrão de luxo convencional, orientado mais pela execução do que por um pensamento autoral.
As joias aqui apresentadas pertencem a clientes da época e permanecem como registro de um fazer anterior à construção de identidade da marca.
Após 2002
A partir de 2002, a marca estabelece uma inflexão clara em sua prática. O contato com o pensamento de Domenico De Masi, especialmente em Cara Brasileira, inaugura um período de investigação sobre brasilidade, identidade e contexto. Esse estudo se desdobra em pesquisa contínua e aplicação direta no fazer.
A Coleção Karajás — Índios do Cerrado de Goiás marca esse momento de consolidação. Não como referência superficial, mas como resultado de imersão: visitas técnicas, estudos no IGPA da UFG, consulta a acervos, bibliografia especializada e aproximação com produções vinculadas à Artíndia. Um conceito estruturado, construído a partir de fontes reais.
Nesse momento, a produção deixa de ser apenas execução e passa a operar como linguagem. Cada peça assume intenção, direção e responsabilidade. A prática de bancada se expande em pensamento, e as joias passam a ser compreendidas como artesanias.
As coleções seguintes se organizam a partir de narrativas do Cerrado e de seus modos de viver, estabelecendo um campo contínuo de investigação até 2024.
Com a definição de uma produção anual de cinco peças, a marca assume um posicionamento de exclusividade radical, onde o tempo e a autoria são elementos centrais. Em paralelo, o Farei Joias atua como extensão desse pensamento, ampliando o acesso e formando multiplicadores, ao democratizar a joalheria brasileira dentro das condições possíveis no país.
Produção 2026
A produção anual de cinco peças se desdobra em conceito, registro e matéria. Cada joia nasce de um pensamento previamente estruturado, documentado à mão e transposto para o fazer.
A peça apresentada integra esse ciclo: não como objeto isolado, mas como parte de um sistema onde ideia, processo e execução operam de forma contínua.